O impacto da automação industrial no mercado de trabalho

Com o avanço tecnológico presente nos dias de hoje, é possível perceber grandes mudanças em relação às empresas. Diversos setores que antes eram preenchidos por trabalho humano passaram a serem substituídos por máquinas. Afinal, todo o trabalho realizado por meio de padrões pode ser substituído por elas.

“Trabalhadores serão menos e menos importantes…Mais e mais eles serão substituídos por máquinas. Eu não vejo como as novas indústrias podem empregar todos que querem um emprego.”
Wassily Leontief

“Robots and Jobs: Evidence from US labor markets”

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts analisou o efeito da automação na indústria dos EUA no mercado de trabalho entre 1990 e 2007. Além disso, realizou a projeção desses dados para os próximos anos. Assim, foram usados modelos em que robôs competiam com trabalhadores por empregos em diferentes setores. Ao mesmo tempo, o estudo leva em consideração o compartilhamento de tarefas em diferentes setores pelas máquinas, assim como a existência de mercados de trabalho especializados nas diferentes categorias de indústrias.

A primeira parte da pesquisa documentou a variação da adoção de robôs por diferentes seguimentos da indústrias. Ademais, estudou o rápido crescimento da implementação desse tipo de tecnologia pelas mesmas indústrias dos EUA e Europa.

Concluiu-se, em nível industrial, não há relação entre a implementação desse tipo de tecnologia e outros grandes fatores que impactam o mercado de trabalho dos EUA, como: exportações da China e México, terceirização de setores e entre outros.

Além disso, o estudo ressaltou que a implementação dos robôs é negativa quanto ao movimento de trabalhadores para a substituição desses por máquinas. Porém, o efeito da produtividade sobre as indústrias aumenta a demanda por funcionários, gerando efeitos positivos.

Impacto no mercado de trabalho é menor do que o esperado

Na segunda parte da pesquisa, foi estudado o equilíbrio do impacto de robôs no mercado de trabalho. Os resultados foram obtidos utilizando dados da Federação Internacional de Robótica sobre o aumento do uso desse tipo de tecnologia em 19 indústrias e do uso de dados divulgados pelo Censo sobre o número de empregos com os avanços da implementação deles.

Com isso, foi observada uma relação negativa entre a exposição da indústria a esse tipo de tecnologia e os resultados gerados no mercado de trabalho após 1900, concluindo que o impacto dos robôs é real, mas não torna possível abominar sua implementação. Isso acontece porque é um resultado muito pequeno se comparado a outras tendências de interferência no mercado de trabalho nos EUA.  

Assim, os dados apontam que a adição de um robô para cada mil trabalhadores impacta reduzindo a taxa de emprego local por população em 0,39%, enquanto os salários caem 0,77%. A implementação dessa tecnologia cria vínculos comerciais, reduzindo esses valores em 0,2% para taxa nacional de emprego local por população. Isto é, para cada um robô implementado, 3,3 trabalhadores nacionais são substituídos por ele. Além disso, há o declínio em 0,42% para o valor referente aos salários.

Com a estimativa de especialistas para o crescimento da implementação de robôs no mercado, os valores sofrem alterações. Seguindo os dados do BCG (2015), o estoque mundial de robôs irá quadruplicar até 2025. Isso resulta em 5,25 mais robôs por mil trabalhadores nos EUA. Com os valores obtidos por meio da modelagem, haverá a redução de um ponto percentual da relação de empregos por população. Por outro lado, se for levado em consideração um cenário com um aumento menor do que 3 vezes o estoque mundial de robôs, haverá uma redução de 0,6% na taxa de emprego por população, além do aumento em 1% na redução dos salários.

É importante ressaltar que algumas áreas são mais afetadas do que outras. Além de que, a respostas do mercado de trabalho pode ser diferente quando a implementação de robôs já estiver melhor consolidada nas indústrias.

Impacto social é o verdadeiro problema

Mesmo com os números baixos em relação a queda do número de empregos e salários, ainda existem problemas. A pesquisa mostrou que os trabalhadores com menores qualificações, em especial os de classe média, são os maiores prejudicados.

Daron Acemoglu, um dos responsáveis pela pesquisa, ressalta: “O ônus recai sobre os trabalhadores de baixa qualificação e, principalmente, da classe média. Essa é realmente uma parte importante de nossa pesquisa geral [sobre robôs], que a automação realmente é uma parte muito maior dos fatores tecnológicos que contribuíram para o aumento da desigualdade nos últimos 30 anos”, fala para o ScienceDaily.

Assim, ele conclui “Certamente não dará nenhum apoio àqueles que pensam que os robôs vão assumir todos os nossos empregos […] Mas isso implica que a automação é uma força real a ser enfrentada”.

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