Entregadores de aplicativo param para cobrar mais proteção

O segundo semestre de 2020 já começou com paralisações no ramo de entregadores de aplicativos de delivery em Mato Grosso do Sul. A paralisação é nacional e acontece em vários estados brasileiros e outros países como a Argentina.  

Os trabalhadores reivindicaram nesta quarta-feira (1°), no centro de Campo Grande, melhores condições de trabalho e cobraram mais proteção, além de mudanças na forma de pagamentos das principais empresas do setor, como iFood, Rappi e Uber Eats. Os trabalhadores fizeram uma “buzinaço” na avenida Afonso Pena em protesto contra as empresas de aplicativo.  

As insatisfações dos trabalhos ganharam força com a grande procura desses serviços durante a pandemia do novo coronavírus enquanto as pessoas estão em isolamento social na cidade. As reclamações de entregadores vão desde falta de seguro contra acidente ou roubo e equipamentos de proteção individual à pagamentos irrisórios e taxas mais baixas em relação a quilômetros rodados.  

Segundo dados do Instituto Foodservice Brasil (IFB), com o isolamento social, o share “compartilhamento” de delivery no mercado subiu de 9% em abril de 2019 para 32% em abril de 2020.  

Segundo o representante dos entregadores da Capital, Fernando Albuquerque, o objetivo é que a os aplicativos e até a população “enxergue melhor” a situação dos trabalhadores que nos últimos dias não está sendo fácil.  

“Estamos revoltados e triste com essa falta de valorização que não é de agora, precisamos ganhar o preço justo por estar na linha de frente. Não temos seguro, nem aparelho de proteção, nem cupom de desconto para comer nós temos”, conta Albuquerque.  

NECESSIDADE

Yuri Albernaz, de 31 anos, trabalha há 5 anos como moto entregador e a reportagem contou que os últimos meses estão difíceis por conta da pandemia. Trabalhando por pelo menos 10 horas por dia, ele tem dificuldade de ganhar bem, já que o valor ganho na taxa de entrega não é o suficiente para a quantidade de quilômetros rodados por tantas horas. Em uma semana de junho, Yuri conseguiu arrecadar 400 reais em 12 horas de trabalho, mas afirma que gasta R$ 30 por dia de gasolina, quase a metade do valor ganho, além de outros gastos com a motocicleta, celular e internet.  

“Eu me sinto explorado, indevidamente, envergonhado por ser brasileiro e trabalhar para aplicativo brasileiro que não valoriza o trabalhador e ganham rios de dinheiro”, disse.  

OUTRO LADO

Solicitamos Informações as empresas de aplicativo delivery sobre a paralisação.  

Em nota, o IFood informou que o valor médio das rotas  é de R$ 8,46 e explicou que o valor é calculado usando fatores como a distância percorrida entre o restaurante e o cliente, uma taxa pela coleta do pedido no restaurante e uma taxa pela entrega ao cliente, além de variações referentes a cidade, dia da semana e veículo utilizado para a entrega. Todos os entregadores ficam sabendo do valor da rota antes de aceitar ou declinar a entrega. Todas as rotas têm um valor mínimo de R$5,00 por pedido, mesmo que seja para curta distância.

Sobre o seguro, a empresa informou que desde o fim de 2019, oferece a todos os entregadores cadastrados em sua plataforma o Seguro de Acidente Pessoal. Segundo o Ifood, o benefício é válido durante o período no qual eles estão logados na plataforma da empresa e também no “retorno para casa” – válido por uma hora e até 30 km do local da última entrega realizada de moto, ou por duas horas e até 30 Km do local da última entrega para quem realiza entregas com bicicletas, patinetes ou a pé.

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